Biografia

Olá! Meu nome é Mário Maria Fernandes Gomes, sou cineasta, e quero compartilhar com o mundo, minha história de vida.

Nasci em 26 de março de 1930 na cidade de Dom Silvério em Minas Gerais. Meu pai era Cleres Ferreira Gomes, viajante que trabalhou até os 80 anos de idade. Minha mãe, Stella de Araújo Gomes, era professora e adorava criar peças de teatro.

Aos cinco anos, fui com minha família para Ouro Preto e lá vivi muitas aventuras. Para se ter ideia, fui coroinha na igreja Nossa Senhora da Conceição e desfilei vestido de “capetinha” no Zé Pereira do tradicional Clube dos Lacaios.

Meu pai, minha mãe (direita e esquerda), meu irmão “Clerezinho” e eu (sentados).

Com sete anos de idade, tive a primeira experiência com a arte circense. Após me deliciar com o espetáculo de um circo que se encontrava na cidade, reuni meus coleguinhas do Grupo Escolar Dom Pedro II e montei minha “companhia”. A tenda era feita com lençóis e cobertores que pegávamos em casa. Fazíamos apresentações periódicas para crianças e adultos da vizinhança que adoravam ver os filhos tão empolgados.

Sempre achei que minha infância em Ouro Preto daria um livro. Por isso escrevi “Esse anjinho ninguém queria!” que aguarda uma boa editora para publicação.

Aos vinte e dois, me tornei artista profissional fazendo apresentações no CIRCO LUXEMBURGO, no CIRCO CONTINENTAL, no CIRCO CASTELO e até no grandioso CIRCO SARRASANI (sim, o mesmo circo que alavancou nosso saudoso palhaço Carequinha).

Acrobacias em monociclos e bicicletas no Parque Municipal de BH

Meus espetáculos variavam entre malabarismos em monociclos e bicicletas e até o perigoso GLOBO DA MORTE, onde arriscava minha vida pelo menos duas vezes ao dia. Ao me despedir dos colegas para enfrentar o globo, não sabia se era uma viagem sem volta.

Minha última apresentação como piloto, foi um show de motociclismo acrobático que teve a presença de um grande público, incluindo o Grupo Escolar Silviano Brandão e boa parte da imprensa escrita e televisiva de Minas Gerais, e aconteceu exatamente no dia em que Tancredo Neves faleceu (21 de abril de 1985).

Foi necessário interditar um trecho da avenida Afonso Pena (pista do lado do Palácio das Artes) que se estendia da Rua Guajajaras até a Rua da Bahia. Minha moto, uma Yamaha RX-125, foi adaptada para proezas arrojadas. Executei manobras tão arriscadas e com tanto sangue frio, que o próprio produtor do evento passou mal e foi hospitalizado.

Show de Motociclismo em 1985 – cobertura televisiva pela Rede Globo e Manchete.

Retornando um pouco no tempo; com quatorze anos viemos para Belo Horizonte e foi exatamente nessa época que tive os primeiros contatos com o mundo do cinema. A sétima arte se apoderou de meu ser como um vírus e até hoje não encontrei a cura. Um ano depois, comprei minha primeira câmera (uma 8mm) de um padre e comecei a fazer “curtas” com a juventude local. Fui eu que espalhei o tal vírus do cinema aos jovens da época e grandes nomes surgiram daí.

Minha primeira produção, foi um filme de ficção científica intitulado “O Monstro da Floresta Negra”, que facilitou a produção em Super 8mm do segundo, “A Estrela do Xerife”.Pouco tempo se passou e meu equipamento se tornou obsoleto. Foi aí que me rendi ao novo padrão da época, o 16mm. Com isso, novas possibilidades de mostrar meu trabalho surgiram. Fiz exibições em paróquias e até mesmo em alguns cinemas de bairro.

Equipe da Horizontina Filmes, minha primeira produtora

Ainda não satisfeito, queria me profissionalizar como cineasta. Concluí o curso de Artista de Cinema em 14 de maio de 1960 pela Academia Americana de Cinema. A partir daí, me associei ao Centro de Estudos Cinematográficos, onde realizei palestras e exibi produções que receberam críticas positivas de meus colegas de profissão. Participei, também, da Associação Mineira de Cinema, da Associação Brasileira de Imprensa e da Associação Mineira de Imprensa. Colaborei como repórter fotográfico no Jornal da Segurança da Polícia Civil e exerci o mesmo cargo no Jornal do Detetive, onde o editor geral era meu querido amigo Avelino Sobrinho.

Minhas carteiras profissionais e meu diploma a Academia Americana de Cinema.

Minha primeira experiência com a televisão, foi na TV ITACOLOMI com o programa “Instantâneo de uma Cidade”, do jornalista e radialista Martinho Duarte, exibido em horário nobre. O tempo se passou e esse programa foi transferido para a TV BELO HORIZONTE, a atual TV Globo Minas. Em 2000, fui o primeiro cineasta a exibir uma série genuinamente mineira na TV. O nome era “Agente 700 – Bonifácio” e contou a história de um catador de lixo que se transformou num investigador com fama internacional nos moldes de James Bond.

Instantâneo de Uma Cidade

Atualmente, preocupo-me com a cultura de nosso país e procuro fazer produções socio-educativas que podem ser apreciadas por todos os integrantes de uma família. Tento passar a ideia de que somos parte desse planeta e não os únicos donos. A ecologia é o assunto mais abordado em minhas obras e tenho como alvo as crianças, pois são elas que viverão um futuro caótico caso não recebam a educação correta.

É isso aí! Agora que me conhece um pouco melhor, que tal acompanhar minha vida através do blog, assistir meus filmes e conhecer (participar, quem sabe) meus projetos?

Um abraço e fique à vontade!

11 respostas para “Biografia”

  1. Recomeçar.

    O Mário está “de olho vivo” nas bolas que vão rolar na Copa do Mundo de 2014. O personagem “Zé Cabral” pretende muitas reportagens em tudo que vai rolar até lá. Não vão faltar alegria, entusiasmo e informação para os apaixonados pela Copa do Mudo.

  2. Nossa você realmente um homem corajoso e arrojado…Parabéns…
    Eu escrevi um texto sobre envelhecer e um drama pesado e reflexivo para participar do concurso Curta Santos um festival muito conceituado no Estado de São Paulo não sei se vc conhece quem sabe eu te envio e vc filme e agente participa …pois eu não tenho recursos para filmar…se vc quizer me responda e eu te envio o texto…
    bjs parabens…
    Sonia Moura.

  3. Olá mário! Nunca me esqueci do orgulho que sempre senti em ter carregado como documento uma carteira da ” Horizontina Filmes” com minha foto e meu nome. Aprendi muito com você. Obrigada Mário. Tive muitas fases de intensa felicidade em minha vida, aquela foi uma delas.
    MUUUUUUITO OBRIGADA!!!!!!!!!!

  4. A história de vida do cineasta Mário Gomes é um filme, que oscila entre o sonho e a realidade. Os motivos, ou argumentos, que desenvolve para que suas idéias acontecem, são inesgotáveis. As dificuldades financeiras não impedem que este homem, que chega na casa dos 82 anos em 26 de março, lute por suas fantasias escritas nas telas. O amor pelo trabalho lhe garante sempre uma nova idéia para montar o seu picadeiro elétrico.
    Agora ele prepara o evento sobre a Copa 2014, com o seu personagem principal, o repórter Zé Cabral, sobre um palco móvel, tendo o estádio do mineirão como fundo, a contar histórias do futebol, tão esperadas por seus compadres da roça.
    Além disso, Zé Cabral vai apresentar ao público leitor o livro de sua infância em Ouro Preto: “Este anjinho ninguém queria”. De menino traquinas a coroinha nas missas dominicais, Mário volta a vibrar o bronze dos sinos para embalar suas fantasias.
    É isso Mário! aprendemos a viver uma paixão quando nos dedicamos por inteiro ao nosso ofício; crescemos e envelhecemos por uma lei da natureza, mas não perdemos a vontade de brincar com as coisas da vida.

  5. Oi Mario! encontrei você de novo, que bom.
    Fico feliz em saber que você continua na luta. Vi um vídeo seu de 2010 aqui no
    ‘Centro de referencia da pessoa idosa’ no Carlos Prates perto da minha
    casa. reconheci duas amigas minhas.
    Mario, tenho muita vontade de rever alguma coisa que fiz com você
    naquela época. Você tem algum registro? de teatro ou vídeo?
    Mais ou menos nos anos de 1962 1963 1964.
    Espetáculos que lembro que fizemos: ” Honra ultrajada” Pedro Bloque
    ” O catador de papel” estória natalina. Abraços.

    1. Gente! Cadê o Mário? Continua na luta, ou desistiu? Mário foi peça muito importante na felicidade da minha adolescência. Com a companhia ” Horizontina Filmes ” vivemos algumas aventuras como: voltar de Caeté a pé debaixo de chuva, carregando figurino pela linha de trem, depois de apresentar o espetáculo, Honra Ultrajada de Pedro Bloc. Motivo? Não me lembro. parece que a caminhonete que era nosso transporte quebrou. Só aventura!

  6. Adorei conhecer seu trabalho..fico muito feliz toda vez que o senhor chega para apreciar meu arroz doce na padaria Julieta..a sua humildade encara a todos..que Deus te abençoe hoje e sempre

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