A Itatiaia recebe presente de Zé Cabral

O vídeo acima mostra o cineasta Mario Maria Fernandes Gomes em cena junto com o diretor presidente da rádio Itatiaia, num momento histórico: o cineasta lhe entrega, de presente, cenas históricas filmadas durante uma das primeiras apresentações do troféu Guará (as imagens revivem um momento de encontro entre os diretores da rádio, família Carneiro, Wilson Piazza, e outras personalidades).

Eis a mágia do cinema e da fotografia: “o retorno do morto”, como disse Roland Barthes. Este filme, capturado pelas lentes cinematográficas de Mário Gomes bem que mereciam uma reprodução digital, edição, e divulgação pois a história é feita pelos humanos e para os humanos.

Mário Gomes, em seus 80 anos, está no abandono de uma sociedade imediatista, que só pensa no agora, o sucesso é instantâneo. Assim como tantos outros sonhadores da sétima arte, Mario Gomes fez seus filmes com os próprios recursos financeiros, contando com amigos, sem investimento em tecnologia e marketing.

Convido os jovens pesquisadores e estudiosos da civilização da imagem, que é recente, a investigar esta produção, hoje em quatro telas, sem omitir as teias e os links virtuais do passado. Muitos Fellinis, Humbertos Mauro, Glauberes Rocha e Nelsons Pereira podem despontar agora, em tempos de multimídia, democracia virtual.

E, em especial, deixo um apelo ao herdeiro do sistema Itatiaia de Comunicação, que avança também pela internet com a multimídia: acredite no “re-começar” e promova nosso cineasta com o carinho, que só o rádio tem, de falar ao “pé de ouvido”, ele é modelo a se seguir por muitos outros cidadãos que o tempo veloz da publicidade e do capitalismo selvagem, esqueceu de lembrar.

O mundo muda a cada segundo, e nós também. Acredito no ser humano, na solidariedade e no amor como atitudes que poderão salvar nosso planeta terra do pior, antes que o astro rei se apague.

Movimento de Luta Pró Idoso

Prestenção: Os jovens velhinhos do Movimento Pró Idoso, com o Carlão, o Antônio e Marizita, na cabeça, têm lutado por esta faixa etária (entre 65 a 120 anos) excluída dos comerciais, do respeito público e por quê não, das próprias famílias que preferem abandonar seus velhinhos nos abrigos e clínicas especializadas.

O Movimento de Luta Pró Idoso (CNPJ: 10.404.787/001-00) funciona na rua Carijós, 424, s/1309, no centro de Belo HOrizonte e, pasmem os que acreditam nos políticos, foi o responsável pelo cartão digital que permite aos idosos, acima de 65 anos, atravessarem a roleta dos ônibus de BH (que a Prefeitura alardeia como obra sua sem reconhecer o mérito desses lutadores por uma causa mais do que justa: envelhecer com dignidade).

A vida como ela é, já dizia Nelson Rodrigues. Não como a gente quer.

No domingo, 30 de maio último, uma grande festa foi preparada para a turma da “melhoridade” ou “idade do recomeçar”; sem essa de terceiraidade, coisa de piscologês, pois as idades dependem do espírito de cada um, de suas esperanças, alegrias e vontades. O mundo capitalista exclui o velho pois ele “não dá lucro”, deixa de ser “fôrça de trabalho”. O capitalismo está moribundo e quer levar com ele a vida da terra. Lembrem o ditado chinês: “Eu vivo para a criança e o velho, pois criança eu fui e velho serei”. Elementar,porém não é o que vemos em nosso dia-a-dia.

Voltando na festa. Ônibus chegavam com velhinh@s animados, coloridos e dispostos a dançar e se alegrar durante todo o dia. A rádio Itatiaia oferecia um presente para aqueles seus cativos ouvintes do programa dominical do Acyr Antão. Problemas técnicos impediram a transmissão. Os jovens velhinhos não se decepcionaram a festa continuou com música, dança e caldo quente.
A surpresa chegou com o velho cineasta, agora vestido de seu personagem o “Zé Cabral”, contracenando com o palhaço “Capelinha”( Wanderley Martins e Raimunda Melchiades. Se a gargalhada não foi geral, pois o som deixou a desejar, os palhaços cumpriram seu papel e foram aplaudidos no final.

Um velho violeiro arrancou a voz dos presentes, tocando seu violão e cantando com o cantor e animador da festa, uma “moda de viola” das antigas, daqueles que não morrem enquanto o imaginário coletivo exisitir: “Chico Mineiro, lá pelos sertões de Goiás…” música dum tempo em que homens e mulheres brincavam de viver.

Vamos lá “Zé Cabral”, leva o seu “recomeçar” a quem precisa de esperança, amor e atenção para resistir às hipocrisias de políticos e capitalistas selvagens, indivíduos que só pensam em si, no bem estar dos seus e aos demais, distribuem esmolas e pequenas caridades.
@s Velhos querem o direito de envelhecer na sociedade que ajudaram a construir.